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sábado, 31 de outubro de 2026

O trabalho do futuro será sobre tecnologia ou sobre conexões humanas?

Leia o artigo da especialista Lorena Villar

Por Lorena Villar

Foto: Arquivo pessoal / Lorena Villar

Durante muito tempo, falar sobre o futuro do trabalho significava falar sobre tecnologia: inteligência artificial, automação, novas ferramentas e profissões que surgiriam ou desapareceriam.

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: o que continuará sendo essencialmente humano?

A inteligência artificial já é capaz de analisar dados, produzir conteúdos, automatizar processos e executar tarefas em uma velocidade impressionante. Quanto mais essas tecnologias avançam, porém, mais evidente se torna a importância de competências que não podem ser reduzidas a algoritmos: confiança, colaboração, empatia, criatividade e capacidade de construir relações.

É um paradoxo do nosso tempo: nunca tivemos tantos recursos para nos conectar e, ainda assim, a solidão ganhou proporções preocupantes.

Em 2025, a Organização Mundial da Saúde apontou que 1 em cada 6 pessoas no mundo é afetada pela solidão e destacou os impactos da desconexão social sobre a saúde física e mental.

Isso mostra que conexão digital não significa necessariamente conexão humana.

Podemos participar de dezenas de grupos, reuniões e redes profissionais e, ainda assim, não nos sentirmos pertencentes a nenhum deles.

O diferencial estará nas relações

Imagine duas empresas com acesso às mesmas ferramentas de inteligência artificial. O que poderá diferenciá-las?

Entre outros fatores, a maneira como suas pessoas trabalham juntas.

Uma equipe em que existe segurança psicológica compartilha mais ideias. Uma liderança que sabe escutar cria espaço para perguntas, divergências e aprendizado. Um profissional que se sente pertencente tende a participar de maneira diferente daquele que se percebe isolado.

É nesse contexto que surge o papel do líder preocupado em desenvolver conexões reais e de qualidade. Foi exatamente pensando nessa habilidade de de criar relações de qualidade que resolvi fazer o curso de Designer de Conexões para apoiar nesse processo.

Não se trata simplesmente de promover encontros ou dinâmicas de grupo esporadicamente como comumente  acontece no ambiente corporativo. É compreender como as relações acontecem dentro de uma organização e identificar o que favorece ou dificulta confiança, colaboração e pertencimento.

Quem chega à empresa consegue se integrar? As equipes conversam além das tarefas? As pessoas se sentem seguras para pedir ajuda? Existe espaço para diferentes perspectivas?

Essas perguntas também fazem parte da arquitetura de uma organização.

Não acredito que o futuro do trabalho será uma escolha entre tecnologia e pessoas.

A tecnologia tende a assumir cada vez mais tarefas repetitivas e operacionais. Isso pode nos dar a oportunidade de dedicar mais energia justamente ao que exige julgamento, criatividade, relacionamento e sensibilidade.

Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “quais profissões a inteligência artificial vai transformar?”, mas também:

“Que tipo de profissional queremos ser em um mundo em que a inteligência artificial fará cada vez mais coisas por nós?”

E que tipo de ambiente queremos construir?

O trabalho do futuro será, sim, tecnológico. Mas continuará sendo realizado por pessoas e entre pessoas.

Por isso, acredito que a capacidade de criar conexões e relações genuínas poderá se tornar uma das competências mais importantes e mais difíceis de automatizar no futuro do trabalho.

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