Pesquisa acompanhou 2.073 mulheres e mostra que idade no congelamento e número de óvulos maduros influenciam as chances de chegar à transferência embrionária
Por Vithal Comunicação
Foto: Chat GPT
O número de ciclos de congelamento eletivo de óvulos aumentou quase 500% entre 2013 e 2022, segundo um estudo brasileiro que acompanhou uma década de pacientes de uma clínica de reprodução assistida. O estudo, recém-publicado na revista Reproductive Biomedicine Online, analisou 2.073 mulheres e 2.431 ciclos. A pesquisa mostra também o que aconteceu com aquelas que, anos depois, decidiram recorrer aos óvulos armazenados para tentar engravidar.
Entre as 1.755 pacientes acompanhadas após o procedimento (as que congelaram por indicações médicas ou para tratamento de infertilidade foram excluídas), 134 (7,6%) retornaram à clínica para utilizar os óvulos, em média 4,1 anos depois. Dessas, 69% chegaram à transferência de embriões e 47,3% delas tiveram um nascimento vivo.
“O congelamento de óvulos representa uma oportunidade de preservar uma parte do potencial reprodutivo em determinado momento da vida. É importante, porém, que a mulher entenda que estamos preservando uma possibilidade, e não garantindo uma gravidez no futuro. A idade no momento do congelamento e o número de óvulos maduros obtidos são informações fundamentais nessa conversa”, explica a ginecologista especialista em reprodução humana Dra. Maria do Carmo Borges de Souza, diretora médica da Fertipraxis centro de reprodução assistida no Rio de Janeiro.
A idade média das mulheres no momento do congelamento foi de 36,5 anos, o que é considerado tardio. O ideal é que o congelamento possa ocorrer até os 35 anos, pois a quantidade e a qualidade dos óvulos caem com o passar da idade.
Um dos principais achados da pesquisa foi a associação entre a idade no congelamento e a possibilidade de avançar no tratamento. Quanto maior a idade no momento do congelamento, menores foram as chances de a paciente chegar à transferência embrionária. Em contrapartida, um número maior de óvulos maduros vitrificados esteve associado a maiores chances de alcançar essa etapa.
“Isso não quer dizer que não se pode congelar após 35 anos, mas é importante saber que a preservação da fertilidade tende a apresentar melhores perspectivas quando realizada mais cedo”, pontua o ginecologista especialista em reprodução humana Dr. Marcelo Marinho de Souza, também diretor médico da Fertipraxis.
Na Fertipraxis, a taxa de retorno para uso do material congelado é superior ao apresentado no estudo. Enquanto o trabalho mostrou um retorno de 7,6%, na clínica carioca esse retorno é de 26%. Os desfechos de nascidos vivos são similares.
“Os dados da pesquisa e o que vemos na nossa clínica mostram uma tendência cada vez maior de as mulheres adiarem a maternidade, retornando na quarta década de vida”, afirma Dra. Maria do Carmo Borges de Souza.
O estudo evidencia que o caminho entre o congelamento e a gravidez envolve várias etapas. Depois do descongelamento, os óvulos precisam sobreviver, ser fertilizados e evoluir para embriões capazes de chegar à transferência. Por isso, ter mais óvulos maduros congelados pode ampliar as possibilidades de chegar a essa etapa, mas não garante o nascimento de um bebê.
O estudo revela ainda outra tendência, entre as mulheres que efetivamente descongelaram os óvulos, 27% buscaram a maternidade solo.
“Na Fertipraxis, também observamos o retorno para a maternidade solo. Para algumas mulheres, o congelamento acontece em um momento em que ainda não há um parceiro ou uma decisão definida sobre a formação da família, e os óvulos preservados podem se tornar uma alternativa quando esse projeto se concretiza no futuro”, diz o ginecologista especialista em reprodução humana Dr. Roberto Antunes, também diretor médico da Fertipraxis.
Para os especialistas, os dados reforçam a importância de que a decisão seja acompanhada por aconselhamento médico individualizado, considerando idade, reserva ovariana, quantidade de óvulos obtidos e projeto reprodutivo.
“Mais do que simplesmente congelar óvulos, a discussão passa a ser sobre quando congelar, quantos óvulos conseguir armazenar e quais são as possibilidades reais de utilizá-los anos depois”, conclui Dr. Antunes.
Sobre a FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana
Fundada em 1994, a FERTIPRAXIS atua no atendimento, orientação e tratamento de pessoas que desejam engravidar. A clínica possui unidades na Barra da Tijuca, Ipanema e Campos dos Goytacazes (RJ) e é certificada pela Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), atendendo aos padrões internacionais de qualidade para procedimentos de reprodução assistida.
A instituição conta com centro cirúrgico próprio, laboratórios especializados em manipulação e criopreservação de gametas e embriões e sistema integrado de rastreabilidade por código de barras, garantindo maior segurança durante o processamento das amostras biológicas.












