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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Válvula de uretra posterior pode levar à doença renal crônica em até 32% dos pacientes

Urologista pediátrico brasileiro discute, no Peru, novas abordagens para crianças com a doença e estratégias para preservar a função dos rins

Uma alteração rara que afeta na grande maioria das vezes meninos, a válvula de uretra posterior (VUP) pode causar obstrução da saída da urina, comprometer o funcionamento da bexiga e, mesmo após o tratamento, levar à doença renal crônica e à insuficiência renal. Uma revisão recente da European Association of Urology aponta que cerca de 32% dos pacientes podem desenvolver doença renal crônica e aproximadamente 20% podem evoluir para doença renal terminal ao longo do acompanhamento. No Brasil, estima-se que a condição ocorra em cerca de 1 a cada 8 mil nascidos vivos.

O tema será discutido pelo urologista pediátrico Dr. Ubirajara Barroso Jr. durante o XXXI Congresso da Sociedade Ibero-Americana de Urologia Pediátrica (SIU), que acontece nos dias 7 e 8 de outubro, em Lima, no Peru. Considerada uma das principais entidades da especialidade na região ibero-americana, a SIU reúne especialistas para discutir avanços no diagnóstico, tratamento e acompanhamento das doenças urológicas em crianças.

No dia 7, Dr. Ubirajara fará a palestra “Incisão do colo vesical em válvulas de uretra posterior: indicações, controvérsias e resultados” e participará de uma mesa sobre o acompanhamento de longo prazo desses pacientes. O foco será a preservação da função renal em crianças que continuam apresentando alterações urinárias mesmo depois da correção da obstrução.

“A válvula de uretra posterior é uma doença que exige muito mais do que simplesmente corrigir a obstrução. Mesmo depois do tratamento, algumas crianças continuam apresentando alterações na bexiga e podem ter repercussões sobre a função renal. Por isso, precisamos acompanhar esses pacientes durante o crescimento”, explica Dr. Barroso Jr., professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

“A obstrução inicialmente ocorre na uretra, dificultando a saída da urina. Com o tempo, a bexiga passa a fazer mais força para vencer essa resistência e sua musculatura fica mais espessa. Esse esforço contínuo pode provocar uma segunda obstrução, dessa vez na saída da própria bexiga, chamada de colo vesical. A novidade que vamos apresentar é um procedimento que consiste em realizar uma pequena incisão no colo da bexiga para aliviar essa segunda obstrução. Com isso, a passagem da urina é facilitada e o funcionamento da bexiga pode ser melhorado”, complementa.

O médico também participará da mesa “Acompanhamento a longo prazo das VUP – Válvulas de Uretra Posterior”, que discutirá estratégias para monitorar alterações na bexiga, no fluxo urinário e na função renal ao longo do crescimento.

A temática vai abordar um dos principais desafios no tratamento desses pacientes: o acompanhamento após a correção da obstrução. Mesmo quando a válvula é tratada, alterações na bexiga e no trato urinário podem permanecer ou surgir ao longo do crescimento.

“Há crianças que mesmo com o tratamento persistem com problemas urinários. Com isso, os pacientes podem ter mais qualidade de vida, além de um jato urinário melhor e, consequentemente, a preservação da função renal”, explica o chefe da Unidade do Sistema Urinário do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (UFBA).

A necessidade desse acompanhamento está relacionada ao fato de que a doença pode provocar alterações persistentes na dinâmica da bexiga. “O seguimento de longo prazo é fundamental para identificar precocemente problemas no armazenamento e na eliminação da urina, acompanhar o fluxo urinário e, principalmente, reduzir o risco de perda progressiva da função renal”, complementa.

Sobre o Dr. Ubirajara Barroso Jr.   

É professor livre-docente da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) e coordenador da Disciplina de Urologia da Universidade Federal da Bahia. Também é professor adjunto de Urologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, chefe da Unidade do Sistema Urinário do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (UFBA) e da Divisão de Cirurgia Urológica Reconstrutora e Urologia Pediátrica do hospital universitário.    

Doutor e mestre em Urologia, realizou fellowship em urologia pediátrica no Children’s Hospital of Michigan, vinculado à Wayne State University. Atua ainda como urologista da Rede D’Or.   

Atualmente, é presidente da International Children’s Continence Society (ICCS), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia para o biênio 2026/2027 e presidente-eleito da entidade para 2028/2029. Atende em Salvador e São Paulo.  

O especialista possui mais de 150 artigos científicos publicados, mais de 20 capítulos de livros e atuação reconhecida internacionalmente em técnicas cirúrgicas inovadoras voltadas à reconstrução genital e ao tratamento da incontinência urinária.   

Currículo Lattes:    
http://lattes.cnpq.br/2049946905043441    

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