Por Aline Biano – Psicóloga Infantil
As férias escolares são, para muitas crianças, um período muito aguardado. É o tempo de pausa da rotina escolar, de mais liberdade para brincar, descansar e estar com a família. No entanto, para pais e cuidadores, esse período também pode trazer dúvidas, desafios e até certo cansaço emocional. Afinal, como equilibrar descanso, limites e convivência?
Do ponto de vista psicológico, as férias cumprem um papel fundamental no desenvolvimento infantil. A pausa da rotina formal permite que a criança elabore experiências vividas ao longo do semestre, recupere energia emocional e fortaleça aspectos importantes como a criatividade, a autonomia e o vínculo com os adultos de referência.
A importância do descanso psíquico
Assim como os adultos, as crianças também se cansam emocionalmente. A rotina escolar envolve exigências cognitivas, sociais e emocionais intensas: horários, regras, avaliações, convivência com colegas e professores. As férias oferecem um tempo necessário de “respiro”, no qual a criança pode diminuir esse nível de cobrança e reorganizar seu mundo interno.
Isso não significa ausência total de limites. Pelo contrário: crianças se sentem mais seguras quando existe uma certa previsibilidade, mesmo durante as férias. Manter horários básicos para alimentação e sono, por exemplo, ajuda a preservar o equilíbrio emocional.
Férias não precisam ser cheias de atividades
Existe uma ideia comum de que as férias precisam ser produtivas, cheias de cursos, viagens e programações. No entanto, o ócio — o tempo livre para brincar sem roteiro — é extremamente saudável para o desenvolvimento infantil. É nesse espaço que a criança cria, imagina, elabora sentimentos e expressa emoções.
O tédio, muitas vezes visto como algo negativo, pode ser um convite à criatividade. Quando a criança tem a oportunidade de lidar com o “não ter o que fazer”, ela aprende a buscar soluções internas, desenvolvendo autonomia emocional.
Mais tempo juntos: oportunidade e desafio
Durante as férias, o aumento do tempo de convivência entre pais e filhos pode fortalecer vínculos, mas também evidenciar conflitos. Isso é natural. A convivência mais intensa pode trazer à tona limites, frustrações e diferenças de ritmo entre adultos e crianças.
Nesses momentos, é importante lembrar que o comportamento infantil é uma forma de comunicação. Birras, irritação ou regressões podem sinalizar dificuldades em lidar com mudanças na rotina ou com expectativas muito altas. Escutar, acolher e nomear sentimentos ajuda a criança a se sentir compreendida.
Tecnologia: equilíbrio é a palavra-chave
O uso de telas costuma aumentar durante as férias. Embora a tecnologia faça parte da vida atual, é importante que seu uso seja equilibrado com brincadeiras físicas, interação social e atividades criativas. Combinar horários e oferecer alternativas possíveis é mais eficaz do que apenas proibir.
Cada família, uma realidade
Não existe uma fórmula ideal para viver as férias. Cada família tem sua realidade, suas possibilidades e limites. O mais importante é que a criança se sinta segura, acolhida e vista em suas necessidades emocionais.
As férias escolares não precisam ser perfeitas. Elas precisam ser possíveis, humanas e afetivas. Pequenos momentos de presença, escuta e troca já são suficientes para marcar positivamente a infância.
Com carinho
Aline Biano
Psicóloga Infantil
@psicoalinebiano












