Pesquisas revelam como a instabilidade econômica, as mudanças nas relações de trabalho e a inteligência artificial estão redefinindo as escolhas profissionais da nova geração
Durante anos, consolidou-se a ideia de que a Geração Z escolhia carreira apenas pelo propósito. A realidade, porém, parece ser mais complexa. Em um mercado atravessado pela inteligência artificial, pela aceleração tecnológica e pela insegurança econômica, os jovens passaram a buscar uma combinação entre realização pessoal, crescimento profissional e segurança financeira.
Os dados confirmam essa mudança. A Gen Z and Millennial Survey, da Deloitte, que ouviu mais de 23 mil pessoas em 44 países, mostra que dinheiro, propósito e bem-estar formam hoje o principal tripé das decisões profissionais dessa geração. Apenas 6% dos entrevistados afirmam ter como principal objetivo alcançar cargos de liderança. A maioria prioriza oportunidades de crescimento, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e estabilidade financeira.
No Brasil, o movimento segue a mesma direção. Pesquisa realizada pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em parceria com o Instituto Locomotiva, com mais de 8,8 mil jovens entre 14 e 24 anos, aponta que o principal critério na escolha de uma empresa passou a ser a possibilidade de crescimento profissional, mencionada por 54% dos entrevistados. Na sequência aparecem remuneração e benefícios, com 43% e ambiente de trabalho saudável, com 31%.
A saúde mental também ganhou espaço nas decisões de carreira. Segundo o levantamento, 93% dos jovens consideram muito importante atuar em organizações que valorizem esse tema. O resultado ajuda a explicar uma mudança importante no comportamento profissional: a busca por qualidade de vida deixou de ser vista como um benefício adicional e passou a fazer parte da definição de sucesso.
Isso representa uma ruptura com o modelo que predominou durante décadas, baseado na ascensão hierárquica e na permanência em uma única empresa. A ambição não desapareceu. O que mudou foi a forma de medi-la.
A própria pesquisa da Deloitte mostra que 89% dos entrevistados consideram importante trabalhar com propósito para sua satisfação e bem-estar, enquanto 44% já deixaram empregos que não estavam alinhados aos seus valores. Ao mesmo tempo, quase metade afirma não se sentir financeiramente segura e mais da metade vive com o orçamento bastante comprometido.
O resultado é uma geração que não escolhe entre propósito e estabilidade. Ela procura os dois.
A escolha das profissões também mudou. Se durante décadas a decisão profissional foi guiada principalmente pela promessa de estabilidade, remuneração e crescimento dentro de uma mesma organização, hoje outros fatores entraram na equação.
Flexibilidade, aprendizagem contínua, qualidade de vida, alinhamento de valores e capacidade de adaptação passaram a pesar tanto quanto salário e cargo.
A mudança acompanha um mercado em que profissões surgem, desaparecem e se transformam em velocidade inédita. Em vez de imaginar uma trajetória linear, muitos jovens já iniciam a carreira preparados para mudar de função, desenvolver novas competências e até migrar de área ao longo da vida profissional.
A inteligência artificial tornou-se um dos principais motores dessa transformação. Segundo a Deloitte, cerca de três em cada quatro jovens acreditam que a tecnologia alterará significativamente a forma como trabalham nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a substituição de funções de entrada e com a necessidade de desenvolver competências que não podem ser automatizadas facilmente, como comunicação, criatividade, liderança, empatia e pensamento crítico.
Para as instituições de ensino superior, o cenário impõe um desafio importante. Mais do que transmitir conhecimento técnico, será necessário preparar profissionais capazes de aprender continuamente e se adaptar a mudanças constantes.
“A inteligência artificial muda ferramentas e processos em uma velocidade inédita, mas ela não substitui a capacidade humana de interpretar contextos, tomar decisões éticas, criar soluções originais e se comunicar com diferentes públicos. Por isso, o papel da universidade é formar profissionais preparados para aprender ao longo de toda a carreira, e não apenas para exercer uma profissão específica. O mercado passa a valorizar quem consegue combinar domínio tecnológico com competências humanas”, afirma Padre Dr. José Erivaldo Dantas, diretor da Faculdade Paulus de Tecnologia e doutor em Comunicação e Semiótica.

O sucesso profissional ganhou um novo significado
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, reforça esse movimento ao apontar pensamento analítico, criatividade, resiliência, liderança, alfabetização tecnológica e aprendizagem contínua entre as competências que mais crescerão em importância até 2030.
Na prática, isso significa que a formação profissional precisará ir muito além do domínio técnico. Para a FAPCOM, a universidade passa a assumir um papel ainda mais estratégico na preparação dos estudantes para um mercado em permanente transformação.
“O diploma deixou de representar um ponto de chegada. Hoje ele marca o início de uma trajetória de aprendizagem contínua. As profissões continuarão mudando ao longo dos próximos anos e, por isso, a universidade precisa formar profissionais capazes de resolver problemas complexos, trabalhar de forma colaborativa e tomar decisões éticas diante de novos desafios. Competências como comunicação, pensamento crítico e criatividade deixam de ser diferenciais e passam a ser essenciais para qualquer carreira”, conclui o especialista.
Mais do que decidir entre estabilidade ou propósito, a Geração Z parece ter chegado a outra conclusão: o emprego ideal é aquele que consegue oferecer ambos. Segurança financeira continua sendo importante, mas ela já não é suficiente sem oportunidades de crescimento, qualidade de vida e identificação com os valores da organização.
Sobre a FAPCOM
Fundada em 2005 pela Pia Sociedade de São Paulo (Paulinas e Paulinos), a FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, é uma instituição de ensino superior reconhecida pela excelência na formação em Comunicação, Filosofia e áreas correlatas. Com uma proposta que integra conhecimento, ética, inovação e responsabilidade social, a faculdade prepara profissionais para os desafios do mercado contemporâneo por meio de uma formação humanística, crítica e alinhada às transformações da sociedade e da tecnologia.












