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sábado, 5 de setembro de 2026

Prefeitura de São Paulo oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar

Serviço inclui acompanhamento em grupos, orientação para lidar com a abstinência e práticas integrativas, como acupuntura e auriculoterapia

Por Prefeitura de São Paulo

Foto: Prefeitura de São Paulo

Para quem deseja parar de fumar, a Prefeitura oferece tratamento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com avaliação clínica, acompanhamento em grupos, orientação para lidar com a abstinência e, quando necessário, uso de medicamentos. As unidades também disponibilizam práticas integrativas e complementares em saúde (Pics), como meditação, acupuntura e auriculoterapia.

A procura pelo serviço na rede municipal de saúde aumentou 257%, passando de 4.262 atendimentos, em 2021, para 15.220, em 2025. Só no primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 11.206 atendimentos. Ao todo, foram 57.560 no período de cinco anos, de acordo com dados da Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Entre as pessoas que buscaram apoio para abandonar o cigarro está Umberto Carlos da Silva, de 58 anos, que deixou de fumar há pouco mais de um ano. “Nunca é tarde para ter uma nova vida. Fui fumante por mais de 30 anos. Chegava a fumar quase três maços de cigarros por dia. Também consumi outras substâncias, mas o cigarro foi o mais difícil de abandonar. Nos primeiros dias, até sonhava que estava fumando. Mas o grupo me ajudou muito”, conta.

Umberto frequentou o tratamento antitabagista da UBS Jardim São Nicolau, na Zona Leste da capital. “O fumo é uma doença e precisa de abordagem médica. No grupo, todos se ajudam. A coordenadora dá orientações, conversamos bastante e fiz auriculoterapia para diminuir a ansiedade. O importante é não desistir”, diz.

Para a farmacêutica Juliana D’Assumpção dos Santos, que integra a equipe multiprofissional que atende na unidade, o acolhimento é fundamental. “Os pacientes compartilham suas experiências e encorajam uns aos outros. Toda conquista é importante. Alguns deixam o fumo definitivamente, enquanto outros reduzem a quantidade de cigarros. Sabemos que o tabagismo, além de causar dependência física e psicológica, envolve diversas questões comportamentais e familiares. Por isso, o paciente pode retornar aos encontros caso tenha dificuldade em deixar de fumar”, explica.

Acompanhada pela UBS Vila Mariana, na região sudeste, a tosadora Ana Cristina do Nascimento, de 45 anos, foi fumante por três décadas. “Comecei aos 15 anos, acendendo o cigarro do meu pai no fogão”, relata. A decisão de procurar o grupo no equipamento veio após ser impedida de realizar uma cirurgia estética devido à contraindicação representada pelo tabagismo.

Há dois meses sem fumar, Ana Cristina, que é esportista e pratica atividade física ao menos cinco dias por semana, conta que o processo não tem sido fácil, mas se sente “vencedora” por ter dado o primeiro passo para parar de fumar e não pretende abandonar o grupo da UBS. “Tem sido meu apoio.” Ela acrescenta que, neste percurso, há um forte indício de que o tabagismo foi superado. “O cheiro de cigarro agora me dá nojo.”

O tratamento é espontâneo, ou seja, depende da vontade do paciente, é destinado a todas as faixas etárias e independe da quantidade de cigarros fumados por dia ou do tipo de produto utilizado, seja convencional, mascado, eletrônico, vape ou pod, versão simplificada do vape.

As sessões são coordenadas por profissionais de saúde de nível superior e conduzidas por uma equipe multiprofissional, que pode ser composta por médico, enfermeiro, psicólogo, farmacêutico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou dentista. O programa tem duração inicial de três meses, com possibilidade de acompanhamento por um ano ou mais, considerando eventuais recaídas.

“Durante as reuniões, o profissional de saúde orienta e ensina técnicas para lidar com a abstinência, os gatilhos e a dependência física e psicológica. Além disso, os pacientes compartilham suas experiências, o que ajuda os demais integrantes do grupo”, explica Liamar de Abreu Ferreira, coordenadora do Programa de Cessação de Tabagismo da SMS, que segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a coordenadora, a abordagem cognitivo-comportamental entende o ato de fumar como um comportamento aprendido, desencadeado por determinadas situações e emoções. O modelo de intervenção é centrado na mudança de crenças e na desconstrução de comportamentos que levam ao hábito.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como uma epidemia e uma das principais causas de morte, doença e empobrecimento no mundo. O hábito é responsável pela morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano, sendo 1,2 milhão delas em decorrência da exposição de não fumantes ao fumo passivo.

“O tabagismo é considerado uma das principais causas de morte evitáveis no planeta e está associado a mais de 90% dos casos de câncer de pulmão e a diversas outras doenças, como infarto, bronquite e enfisema pulmonar”, lembra Liamar.

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, o tabagismo afeta cerca de 11,6% da população adulta. Na cidade de São Paulo, segundo o Inquérito de Saúde da Capital (ISA) 2024, 14,2% das pessoas com 10 anos ou mais são fumantes.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo foi instituído pela Lei Federal nº 7.488, de 11 de junho de 1986, com o objetivo de conscientizar a população sobre os danos causados pelo tabaco.

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