Durante muito tempo, a ansiedade foi associada apenas à vida adulta. No entanto, cada vez mais crianças apresentam sinais de sofrimento emocional que merecem atenção. Medos intensos, irritabilidade frequente, dificuldade para dormir e queixas físicas recorrentes podem ser mais do que “fase”.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os transtornos de ansiedade estão entre os problemas emocionais mais comuns na infância e adolescência. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a ansiedade está entre as condições de saúde mental mais frequentes na população jovem em todo o mundo.
Mas como diferenciar uma preocupação normal de algo que precisa de cuidado?
Nem todo medo é ansiedade
É natural que crianças tenham medo do escuro, sintam insegurança no primeiro dia de aula ou fiquem nervosas antes de uma apresentação. Esses sentimentos fazem parte do desenvolvimento emocional.
O alerta surge quando a preocupação é intensa, frequente e começa a interferir na rotina. Alguns sinais importantes incluem:
- Evitar atividades que antes eram prazerosas
- Queda no rendimento escolar
- Irritabilidade constante
- Dores de cabeça ou de barriga sem causa médica
- Dificuldade para dormir
- Medo excessivo de separação dos pais
Quando o sofrimento impacta a vida da criança e da família, é hora de buscar orientação.
Por que os casos parecem estar aumentando?
Especialistas apontam alguns fatores que contribuem para o crescimento da ansiedade infantil:
Rotina sobrecarregada: muitas crianças têm agendas cheias, com pouco tempo para brincar livremente.
Excesso de estímulos e telas: o contato constante com informações e redes sociais pode aumentar a agitação e dificultar o relaxamento.
Pressão por desempenho: expectativas elevadas na escola ou em casa podem gerar medo de errar e frustração exagerada.
Ambiente social: insegurança, mudanças familiares e preocupações financeiras também impactam o emocional infantil.
Crianças absorvem o clima ao redor — mesmo quando não compreendem totalmente o que está acontecendo.
Como os pais podem ajudar?
O primeiro passo é acolher. Minimizar ou desqualificar o sentimento da criança tende a aumentar a angústia. Frases como “isso é bobagem” ou “para de pensar nisso” não ajudam.
Algumas atitudes fazem diferença:
- Ouvir com atenção e sem julgamento
- Validar o sentimento (“Eu entendo que isso te deixou preocupado”)
- Manter uma rotina previsível
- Garantir tempo de descanso e lazer
- Estimular o diálogo dentro de casa
Momentos simples, como refeições em família ou conversas antes de dormir, fortalecem vínculos e oferecem segurança emocional.
Quando procurar ajuda?
Se os sintomas persistirem por semanas, causarem sofrimento intenso ou prejudicarem a rotina escolar e social, é importante procurar um pediatra ou psicólogo.
Buscar apoio profissional não é sinal de fraqueza — é um ato de cuidado. Quanto mais cedo a ansiedade é identificada e tratada, melhores são os resultados.
Saúde mental também é prioridade
Em meio à correria do dia a dia, muitas famílias acabam focando apenas na saúde física. No entanto, o equilíbrio emocional é fundamental para o desenvolvimento saudável.
Falar sobre ansiedade infantil é um passo importante para quebrar preconceitos e ampliar o acesso à informação. Crianças também sentem medo, pressão e insegurança — e precisam de adultos preparados para acolher.
Afinal, cuidar da infância é cuidar do futuro.
Com carinho,
Aline Biano
Psicóloga Infantil
@psicoalinebiano












