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quarta-feira, 4 de março de 2026

Ansiedade infantil: quando a preocupação deixa de ser fase e vira sinal de alerta

Durante muito tempo, a ansiedade foi associada apenas à vida adulta. No entanto, cada vez mais crianças apresentam sinais de sofrimento emocional que merecem atenção. Medos intensos, irritabilidade frequente, dificuldade para dormir e queixas físicas recorrentes podem ser mais do que “fase”.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os transtornos de ansiedade estão entre os problemas emocionais mais comuns na infância e adolescência. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a ansiedade está entre as condições de saúde mental mais frequentes na população jovem em todo o mundo.

Mas como diferenciar uma preocupação normal de algo que precisa de cuidado?

Nem todo medo é ansiedade

É natural que crianças tenham medo do escuro, sintam insegurança no primeiro dia de aula ou fiquem nervosas antes de uma apresentação. Esses sentimentos fazem parte do desenvolvimento emocional.

O alerta surge quando a preocupação é intensa, frequente e começa a interferir na rotina. Alguns sinais importantes incluem:

  • Evitar atividades que antes eram prazerosas
  • Queda no rendimento escolar
  • Irritabilidade constante
  • Dores de cabeça ou de barriga sem causa médica
  • Dificuldade para dormir
  • Medo excessivo de separação dos pais

Quando o sofrimento impacta a vida da criança e da família, é hora de buscar orientação.

Por que os casos parecem estar aumentando?

Especialistas apontam alguns fatores que contribuem para o crescimento da ansiedade infantil:

Rotina sobrecarregada: muitas crianças têm agendas cheias, com pouco tempo para brincar livremente.

Excesso de estímulos e telas: o contato constante com informações e redes sociais pode aumentar a agitação e dificultar o relaxamento.

Pressão por desempenho: expectativas elevadas na escola ou em casa podem gerar medo de errar e frustração exagerada.

Ambiente social: insegurança, mudanças familiares e preocupações financeiras também impactam o emocional infantil.

Crianças absorvem o clima ao redor — mesmo quando não compreendem totalmente o que está acontecendo.

Como os pais podem ajudar?

O primeiro passo é acolher. Minimizar ou desqualificar o sentimento da criança tende a aumentar a angústia. Frases como “isso é bobagem” ou “para de pensar nisso” não ajudam.

Algumas atitudes fazem diferença:

  • Ouvir com atenção e sem julgamento
  • Validar o sentimento (“Eu entendo que isso te deixou preocupado”)
  • Manter uma rotina previsível
  • Garantir tempo de descanso e lazer
  • Estimular o diálogo dentro de casa

Momentos simples, como refeições em família ou conversas antes de dormir, fortalecem vínculos e oferecem segurança emocional.

Quando procurar ajuda?

Se os sintomas persistirem por semanas, causarem sofrimento intenso ou prejudicarem a rotina escolar e social, é importante procurar um pediatra ou psicólogo.

Buscar apoio profissional não é sinal de fraqueza — é um ato de cuidado. Quanto mais cedo a ansiedade é identificada e tratada, melhores são os resultados.

Saúde mental também é prioridade

Em meio à correria do dia a dia, muitas famílias acabam focando apenas na saúde física. No entanto, o equilíbrio emocional é fundamental para o desenvolvimento saudável.

Falar sobre ansiedade infantil é um passo importante para quebrar preconceitos e ampliar o acesso à informação. Crianças também sentem medo, pressão e insegurança — e precisam de adultos preparados para acolher.

Afinal, cuidar da infância é cuidar do futuro.

Com carinho,

Aline Biano

Psicóloga Infantil

@psicoalinebiano

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