Especialista em pessoas e negócios participa do festival para discutir os impactos da inteligência artificial sobre carreiras, diferenciação profissional e relações de trabalho
A inteligência artificial está transformando a maneira como trabalhamos mas, para Débora Martins, especialista em pessoas e negócios, a principal pergunta sobre o futuro do trabalho talvez não seja apenas o que a tecnologia será capaz de fazer, e sim o que as pessoas escolherão continuar fazendo.
É a partir dessa provocação que Débora, ao lado dos especialistas Jack Camillo, Daiana Miranda e JJ, irá palestrar no HackTown no próximo dia 5 de setembro a partir das 11h30, levando ao festival uma reflexão sobre carreira, autoria e as características humanas que podem ganhar ainda mais valor em um cenário de automação crescente. “O HackTown tem uma característica que combina muito com a conversa que quero levar: é um lugar de mistura. Tecnologia, comportamento, negócios, criatividade, pessoas com repertórios muito diferentes”, afirma.
Para Débora, a discussão sobre o futuro do trabalho costuma se concentrar nas ferramentas que os profissionais precisarão aprender e nas funções que poderão ser automatizadas. Ela propõe ampliar o debate para uma questão mais profunda: o que acontece quando aquilo que sabemos fazer deixa de ser, por si só, um diferencial?
“Se a tecnologia consegue fazer cada vez mais coisas por nós, o que queremos continuar fazendo?”, questiona.
Autoria em um mundo de abundância de respostas
Na avaliação da especialista, quanto mais a IA ampliar a capacidade de execução, maior será a importância de competências como julgamento, pensamento crítico, repertório e capacidade de decisão. “Estamos entrando em uma era de abundância de respostas. Você pede dez ideias e recebe dez ideias. Pede uma estratégia e recebe uma estratégia. Pede um plano e ele aparece em segundos”, explica.
O desafio, segundo ela, estará cada vez mais em avaliar essas respostas e compreender quando e como utilizá-las. “Alguém ainda precisa olhar para tudo aquilo e perguntar: isso faz sentido? Para quem? Nesse contexto? Com quais consequências?”
Débora também chama atenção para o risco de terceirizar não apenas tarefas, mas parte da própria identidade profissional. “Talvez o maior risco não seja a IA fazer o nosso trabalho. Talvez seja começarmos a terceirizar tanto que, em algum momento, fique difícil reconhecer o que naquele trabalho ainda é nosso”, destaca a especialista.
Carreiras mais híbridas e menos lineares
A transformação tecnológica também pode mudar a maneira como as carreiras são construídas. Para Débora, trajetórias profissionais tendem a serem cada vez menos lineares, com pessoas transitando entre diferentes áreas e combinando competências.
“Talvez muita gente esteja construindo hoje uma carreira cujo nome ainda nem existe. E isso é assustador, mas também é uma liberdade enorme”, complementa.
Nesse cenário, ela acredita que profissionais precisarão ir além da adaptação constante às novas ferramentas e recuperar a capacidade de construir uma trajetória própria.
“Adaptação é fundamental. Quem ignora o que está acontecendo provavelmente vai ter dificuldade. Mas existe um risco em passar a carreira inteira reagindo”, destaca.
Eficiência não pode ser o único critério
Para as empresas, o avanço da IA também traz uma questão importante: tudo o que pode ser automatizado deveria, de fato, ser automatizado?
“Existe uma confusão perigosa entre duas perguntas: ‘Isso pode ser automatizado?’ e ‘Isso deveria ser automatizado?’. Não são a mesma coisa.”
A especialista defende o uso da tecnologia para eliminar burocracias e tarefas repetitivas, mas ressalta que relações humanas não seguem necessariamente a lógica da eficiência. “Construir confiança leva tempo. Desenvolver alguém leva tempo. Ouvir uma opinião diferente atrasa uma decisão. Uma boa liderança nem sempre acontece no caminho mais curto.”
Para Débora, o futuro do trabalho estará justamente no equilíbrio entre potência tecnológica e identidade humana. “O profissional que deixa uma marca é aquele que usa toda essa potência sem abrir mão da autoria.”
Segundo ela, essa marca não depende de fama ou cargo, mas do impacto gerado. “Quando ele sai de um projeto, de uma empresa ou até de uma conversa, alguma coisa não é exatamente igual ao que era antes. Acho que é esse tipo de marca que nenhuma automação consegue produzir por nós”, conclui.
Sobre Débora Martins
Débora Martins é psicóloga, pedagoga e especialista em Recursos Humanos, Carreira e Desenvolvimento de Pessoas, com mais de 20 anos de experiência no universo corporativo, construídos em grandes empresas como Vivo, TIM, TOTVS e Azul Linhas Aéreas.
Formada em Psicologia e Pedagogia pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Orientação de Carreira pela PUC-SP, Débora também possui formação em Life Coaching e Executive Coaching pela SLAC e certificação em PNL Practitioner e Master pela SBPNL.
Ao longo de sua carreira, consolidou uma visão estratégica sobre os desafios de gestão de pessoas, desenvolvimento de lideranças, carreira e transformação do RH, unindo experiência prática de grandes organizações a uma abordagem voltada para o desenvolvimento humano e os resultados dos negócios.
É criadora do “Tenha um RH para Chamar de Seu” e da Imersão Gestão RH 360, projetos desenvolvidos para apoiar pequenas e médias empresas na implantação, estruturação e profissionalização de suas áreas de Recursos Humanos, tornando o RH mais estratégico e conectado às necessidades do negócio.
Hoje, atua compartilhando sua experiência e conhecimento com empresas e profissionais, trazendo uma visão prática e estratégica sobre os desafios do mundo do trabalho, da gestão de pessoas e da construção de carreiras.
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/debora-martins-hedhunter/












