Jornais União nas Redes Sociais

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Casas Bahia pede recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Varejista atribui agravamento da crise a juros elevados, restrição ao crédito e aumento dos custos financeiros

Por Redação Jornal União São Paulo

Foto gerada pelo chat GPT

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na noite deste domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A empresa busca renegociar uma dívida de R$ 17,3 bilhões. O processo também envolve outras companhias do grupo, entre elas Cnova Comércio Eletrônico, Bartira, Casas Bahia Tecnologia e empresas de logística.

Do total devido, R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários, que não possuem garantias. Outros R$ 754 milhões são referentes a dívidas trabalhistas, enquanto R$ 154 milhões estão relacionados a débitos com micro e pequenas empresas.

Segundo a companhia, a decisão foi motivada pelo agravamento das condições financeiras. Entre os fatores apontados estão os juros elevados, a restrição ao crédito, o aumento das despesas financeiras, a redução do consumo e a pressão sobre o capital de giro. A empresa também afirmou que não conseguiu concluir alternativas de captação de recursos que estavam em negociação.

A Casas Bahia informou que pretende manter suas operações durante o processo de recuperação judicial, sem impactos relevantes para os consumidores. A estratégia de reestruturação prevê a concentração das atividades em áreas consideradas mais rentáveis, redução de custos e renegociação e alongamento das dívidas.

Como parte do plano, a companhia prevê o fechamento de 298 lojas, o equivalente a cerca de 29% das 1.034 unidades existentes até o fim de junho. Segundo o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, os cortes podem atingir aproximadamente 2 mil funcionários.

A entidade sindical deve se reunir com representantes da empresa nesta segunda-feira (17) para discutir os possíveis impactos das demissões.

A atual crise ocorre pouco mais de dois anos após a Casas Bahia recorrer à recuperação extrajudicial. Em 2024, a empresa renegociou aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. Agora, a varejista busca uma nova reestruturação para reduzir a pressão sobre o caixa e tornar a operação financeiramente sustentável.

O pedido de recuperação judicial acontece após a Casas Bahia registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, R$ 9,1 bilhões foram atribuídos a efeitos contábeis não recorrentes. Desconsiderando esses impactos, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.

Apesar das dificuldades financeiras, a receita líquida da companhia avançou 1,6% no trimestre, para quase R$ 7 bilhões. As despesas com vendas, por outro lado, aumentaram 17% e chegaram a R$ 1,8 bilhão.

Com o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia pretende reorganizar suas obrigações financeiras, reduzir despesas e ajustar sua estrutura operacional para enfrentar o cenário de endividamento e recuperar a capacidade de geração de caixa.

plugins premium WordPress