Especialista afirma que tecnologias baseadas em IA ajudam organizações a identificar riscos psicossociais antes que eles se transformem em adoecimento, afastamentos e queda de produtividadePor Assessoria de imprensa
Foto: Arquivo pessoal / Marina Marzotto Mezzetti
A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta relacionada ao bem-estar dos colaboradores e passou a ocupar posição estratégica nas organizações. O aumento dos casos de ansiedade, estresse e síndrome de burnout, somado às novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), tem levado empresas a buscar soluções mais eficientes para identificar riscos psicossociais e fortalecer a prevenção.
Nesse cenário, a Inteligência Artificial desponta como uma importante aliada da gestão corporativa. Mais do que automatizar processos, a tecnologia começa a ser utilizada para analisar dados, identificar padrões de comportamento organizacional e fornecer indicadores que apoiam decisões voltadas à promoção da saúde mental.
Segundo a neurocientista Marina Marzotto Mezzetti, especialista em neurociência aplicada, fundadora da Neuro(efi)ciência, cofundadora e CEO da Normalyze. a grande vantagem da IA é sua capacidade de antecipar problemas antes que eles se agravem.
“Tradicionalmente, muitas empresas só percebiam que algo estava errado quando aumentavam os afastamentos, a rotatividade ou as licenças médicas. A Inteligência Artificial permite uma mudança de paradigma: ela ajuda a identificar sinais precoces de risco e possibilitar ações preventivas, protegendo tanto as pessoas quanto os resultados do negócio.”
A preocupação é respaldada por dados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos como ansiedade e depressão provocam a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, gerando um impacto econômico estimado em US$1 trilhão anuais devido à redução da produtividade.
No Brasil, o tema também ganhou força com a atualização da NR-1, que reforça a necessidade de as organizações identificarem, evitarem e gerenciarem os riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. A mudança amplia o entendimento de que fatores como excesso de carga de trabalho, assédio, conflitos interpessoais, falta de autonomia e insegurança organizacional podem comprometer tanto a saúde dos colaboradores quanto o desempenho das empresas.
Para Marina, a tecnologia torna esse processo mais preciso. “O cérebro deixa sinais antes do adoecimento. Alterações no clima organizacional, redução do engajamento, aumento da insegurança psicológica e mudanças comportamentais costumam aparecer muito antes dos afastamentos. Quando esses indicadores são analisados de forma integrada, é possível atuar preventivamente.”
Tecnologia transforma dados em prevenção
Entre as soluções desenvolvidas para esse cenário está a Normalyze, ferramenta que utiliza Inteligência Artificial para apoiar empresas na identificação de indicadores relacionados aos riscos psicossociais, ao clima organizacional e ao bem-estar emocional das equipes. Paralelamente, promove o desenvolvimento da inteligência emocional dos usuários, proporcionando um ambiente diário, seguro e anônimo para reconhecer, compreender e regular suas emoções.
A tecnologia organiza e analisa informações capazes de orientar gestores e profissionais de Recursos Humanos na implementação de estratégias preventivas, oferecendo uma visão mais ampla sobre fatores que podem impactar a saúde mental dos colaboradores.
Segundo Marina, o grande diferencial está no uso inteligente dos dados. “A IA não faz diagnóstico clínico nem substitui psicólogos, médicos ou lideranças. O seu papel é fornecer evidências para que as decisões deixem de ser baseadas apenas em percepções subjetivas. Quando conseguimos enxergar tendências, conseguimos agir antes que elas se transformem em crises.”
Ela destaca que a combinação entre neurociência e Inteligência Artificial representa um novo momento na gestão de pessoas, que pode potencializar o fator humano.
“A neurociência nos ajuda a compreender como o cérebro responde ao estresse, à insegurança e ao ambiente de trabalho. A Inteligência Artificial amplia a capacidade de cada colaborador de desenvolver autoconsciência e lidar melhor com suas emoções, enquanto fornece às empresas inteligência para identificar fatores de risco e tendências em escala. Juntas, elas permitem construir ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.“
Saúde mental e competitividade caminham juntas
Para a especialista, investir em saúde mental deixou de ser apenas uma ação de responsabilidade social e passou a representar uma estratégia de negócios.
“Somos seres emocionais antes de sermos racionais, como já dizia Antonio Damasio. Empresas emocionalmente saudáveis tomam decisões melhores, inovam mais, reduzem afastamentos e fortalecem o engajamento das equipes. Cuidar da saúde emocional das pessoas deixou de ser apenas um diferencial competitivo; tornou-se uma condição essencial para a sustentabilidade e o desempenho dos negócios.“
Marina acredita que o futuro da gestão corporativa será marcado pelo uso cada vez mais integrado entre ciência, tecnologia e comportamento humano.
“O futuro da gestão não será definido pela Inteligência Artificial isoladamente, mas pela forma como a utilizamos para potencializar o que temos de mais humano. Quando ciência, tecnologia e comportamento caminham juntos, criamos organizações mais inteligentes, resilientes e preparadas para os desafios do futuro”, finaliza a especialista.












