Especialista explica como o cérebro influencia a performance coletiva e defende que segurança psicológica e reconhecimento são mais eficientes do que a pressão para alcançar resultadosPor Assessoria de imprensa
Foto: Arquivo pessoal Marina Marzotto Mezzetti
Em um mercado cada vez mais competitivo, muitas empresas ainda acreditam que metas agressivas e cobranças constantes são os principais motores da alta performance. No entanto, estudos da neurociência mostram exatamente o contrário: as equipes produzem mais quando trabalham em ambientes de confiança, previsibilidade e segurança psicológica.
A explicação está no funcionamento do cérebro. Quando um colaborador percebe ameaças constantes, como medo de errar, cobranças excessivas ou insegurança em relação ao futuro, estruturas ligadas ao sistema de sobrevivência, como a amígdala cerebral, permanecem ativadas. Como consequência, há redução da atividade do córtex pré-frontal, região responsável pelo raciocínio estratégico, criatividade, inovação e tomada de decisões.
“O cérebro não diferencia completamente uma ameaça física de uma ameaça social. Quando um profissional trabalha sob medo constante de punição, julgamento ou demissão, ele entra em modo de sobrevivência. Nesse estado, sua prioridade deixa de ser inovar e passa a ser simplesmente evitar riscos”, explica a neurocientista Marina Marzotto Mezzetti, especialista em neurociência aplicada, fundadora da Neuro(efi)ciência e cofundadora da Normalyze.
Segundo ela, empresas que desejam aumentar produtividade precisam compreender que desempenho não depende apenas de competências técnicas, mas também da forma como o cérebro responde ao ambiente de trabalho.
Para Marina, esse resultado faz total sentido quando analisado sob a ótica da neurociência. “O cérebro aprende por associação. Quando uma ideia gera acolhimento e reconhecimento, os circuitos neurais ligados à recompensa são ativados. Isso favorece o engajamento, a criatividade e a colaboração. Quando a resposta é punição ou constrangimento, o cérebro registra aquele comportamento como uma ameaça e tende a evitá-lo nas próximas oportunidades, explica.
Outro fator importante é a previsibilidade. O cérebro busca constantemente antecipar acontecimentos para economizar energia e aumentar a sensação de segurança. Ambientes organizacionais marcados por mudanças repentinas, comunicação confusa e ausência de clareza elevam a percepção de incerteza e aumentam a produção de cortisol, hormônio relacionado ao estresse.
Já quando líderes estabelecem objetivos claros, comunicam expectativas e mantêm relações de confiança, ocorre maior ativação dos sistemas de recompensa do cérebro, especialmente aqueles mediados pela dopamina.
“A dopamina costuma ser conhecida como o neurotransmissor do prazer, mas sua principal função está relacionada à motivação e à expectativa de recompensa. Quando o colaborador percebe evolução, recebe reconhecimento e enxerga propósito no trabalho, seu cérebro tende a manter níveis mais elevados de motivação para continuar desempenhando bem”, afirma Marina.
Segundo a especialista, isso não significa criar ambientes sem desafios. “Os cérebros de alta performance não precisam de menos desafios. Precisam de desafios acompanhados de segurança psicológica. É essa combinação que permite assumir riscos inteligentes, aprender com os erros e inovar continuamente.”
Marina destaca que a gestão da performance está cada vez mais conectada à saúde mental e aos riscos psicossociais, tema que ganhou ainda mais relevância com as atualizações da NR-1.
Nesse cenário, ferramentas baseadas em Inteligência Artificial passam a apoiar líderes e áreas de Recursos Humanos na identificação precoce de fatores que comprometem o desempenho das equipes.
Entre essas soluções está a Normalyze, ferramenta que utiliza IA para analisar indicadores relacionados ao clima organizacional, segurança psicológica e riscos psicossociais através de conversas diárias e anônimas com os colaboradores no dia a dia. A tecnologia fornece dados que auxiliam empresas na construção de ambientes mais saudáveis, fortalecendo ações preventivas voltadas tanto ao bem-estar quanto à produtividade.
“A tecnologia não substitui o olhar humano, mas amplia nossa capacidade de compreender o comportamento organizacional e provoca os colaboradores a elevarem sua capacidade de autopercepção e gestão emocional. Quando unimos neurociência, dados e Inteligência Artificial, deixamos de agir apenas depois que o problema aparece. Passamos a prevenir o adoecimento, fortalecer a confiança e criar condições para que as pessoas expressem seu verdadeiro potencial”, destaca Marina.
Para a neurocientista, o futuro das organizações será definido menos pela capacidade de controlar pessoas e mais pela habilidade de criar ambientes nos quais o cérebro possa operar em seu máximo potencial. “A alta performance sustentável nasce quando confiança, previsibilidade, reconhecimento e propósito caminham juntos”, conclui.












