O mês de maio marca uma campanha essencial: o Maio Laranja, dedicado à conscientização e ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Mais do que uma data simbólica, esse período nos convida a refletir sobre o papel de cada um na proteção da infância.
Na prática clínica como psicóloga infantil, é possível perceber o quanto esse tema ainda é cercado por silêncio, dúvidas e, muitas vezes, desinformação. Muitas famílias acreditam que o abuso acontece apenas em contextos extremos, mas a realidade mostra que, na maioria das vezes, a violência ocorre em ambientes próximos e por pessoas conhecidas da criança.
Por isso, a prevenção começa com algo fundamental: o diálogo.
Crianças precisam aprender, desde cedo, sobre o próprio corpo, limites e consentimento, de forma adequada à idade. Ensinar que existem partes íntimas, que ninguém pode tocá-las sem permissão e que segredos que causam desconforto não devem ser guardados são passos importantes para a proteção.
Outro ponto essencial é a construção de um ambiente seguro emocionalmente. Quando a criança se sente acolhida, ouvida e respeitada, ela tem mais facilidade para expressar sentimentos e relatar situações que a incomodam. Muitas vezes, o abuso não aparece de forma direta, mas através de mudanças de comportamento, como medo excessivo, isolamento, regressões ou alterações no sono e na alimentação.
É fundamental que pais, responsáveis e educadores estejam atentos a esses sinais, sem julgamentos, e dispostos a escutar com cuidado.
Além disso, é importante reforçar que a responsabilidade nunca é da criança. Em casos de suspeita ou confirmação, o acolhimento deve ser imediato, evitando questionamentos que possam gerar culpa ou confusão. Buscar ajuda profissional e acionar os órgãos de proteção são atitudes essenciais.
O Maio Laranja nos lembra que proteger a infância é um compromisso coletivo. Falar sobre o assunto não incentiva o medo, mas promove conhecimento, autonomia e segurança.
Cuidar das crianças é, também, garantir que elas cresçam em ambientes onde possam se desenvolver com dignidade, respeito e proteção.
Com carinho
Aline Biano
Psicóloga Infantil
@psicoalinebiano










