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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Das férias para as redes: adolescentes transformam o tempo livre em produção de conteúdo digital

Fenômeno acompanha o avanço da creator economy e reforça a importância da educação para o uso consciente das plataformas

As férias escolares deixaram de ser apenas um período de descanso para muitos adolescentes brasileiros. Cada vez mais, o tempo livre é dedicado à produção de vídeos, criação de perfis nas redes sociais, desenvolvimento de projetos autorais e até à busca de oportunidades de renda por meio da internet. O movimento acompanha a expansão da creator economy e revela uma mudança na relação dos jovens com o ambiente digital: além de consumidores, eles passam a atuar como criadores.

Os números refletem essa transformação. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil, realizada pelo Cetic.br/NIC.br, 93% dos brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet. Nesse cenário, as plataformas digitais deixaram de servir apenas para entretenimento e passaram a reunir espaços de aprendizagem, expressão, empreendedorismo e construção de identidade.

A tendência também aparece em escala global. De acordo com o The Creator Economy Report 2024, da Adobe, mais de 45% da Geração Z se considera criadora de conteúdo, produzindo vídeos, imagens, transmissões ao vivo ou outros materiais digitais. Para muitos desses jovens, essa atividade representa tanto uma forma de expressão quanto uma possibilidade de construir carreira e gerar renda.

Para o Padre Dr. José Erivaldo Dantas, diretor da Faculdade Paulus de Tecnologia e doutor em Comunicação e Semiótica, a mudança revela uma nova forma de ocupar o tempo livre.

“As férias deixaram de ser apenas um momento de consumo de conteúdo. Muitos adolescentes passaram a aproveitar esse período para aprender novas habilidades, experimentar diferentes linguagens digitais e desenvolver projetos próprios. Isso pode ser extremamente positivo quando existe equilíbrio, orientação e consciência sobre os desafios desse ambiente.”

O especialista ressalta, porém, que produzir conteúdo vai muito além da criatividade. A atividade exige planejamento, organização, capacidade de comunicação, compreensão do funcionamento das plataformas e responsabilidade sobre aquilo que é publicado.

“Criar conteúdo envolve competências que serão cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, é fundamental discutir saúde mental, privacidade, exposição excessiva e a pressão por resultados. O ambiente digital oferece oportunidades, mas também exige maturidade para lidar com seus riscos.”

Embora a economia digital amplie as possibilidades profissionais para as novas gerações, especialistas alertam que esse processo precisa ser acompanhado por famílias e escolas. Educação digital, pensamento crítico e compreensão dos impactos das redes sociais são apontados como fatores essenciais para que adolescentes desenvolvam uma relação saudável com a tecnologia.

“O desafio não é afastar os jovens das plataformas, mas prepará-los para utilizá-las de forma ética, crítica e responsável. A educação precisa acompanhar essa transformação para que eles aproveitem as oportunidades da economia digital sem abrir mão do equilíbrio, da formação humana e do bem-estar.”

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